
Seu teto era de vidro. Ou cristal. Quebrável,frágil. Mas poucos, se não ninguém, enxergava isso. Fazia pose de durona,de ‘nada me atinge’. Fingia não sentir, escondia tudo dentro do seu coração, protegia-se em baixo do teto de vidro. Guardava todas as suas tristezas para si mesma, ninguém nunca entenderia, realmente, o que ela estava passando.
Suas amigas lhe diziam ‘vai passar, uma hora vai acabar, vai ficar tudo bem’, o problema é que nunca curava. Era decepção atras de decepção, mágoas, ilusões. Quando pensava ‘finalmente,vou ser feliz’, vinha outro idiota e lhe fazia sofrer.
Mais uma decepção,algumas lágrimas e um teto a reconstruir. Ufa,foi difícil concertar dessa vez. Lá vamos nós novamente.
Algumas mensagens de texto, direct messages no Twitter e pronto. Beijos e promessas dispararam, como flechas. Iguais as que foram lançadas nem seu coração no dia em que se apaixonou.
Brigas,distancia…e uma outra pessoa. Bum. Mais um telhado quebrado. Dor, raiva e amor.
Ele chegou,fiquem quietas aí borboletas ordinárias. Ele reparou nos cacos, pegou a pá e a vassoura. Limpou a bagunça. Mas não concertou o telhado. Ei,volta aqui. Faltou uma parte. Sem sinal dele. Mais decepção.
Como eu disse, era sempre assim, uma decepção atras da outra. Ele jogou uma pedra no teto dela. Ele sabia que era de vidro, porque fez isso então? Seu teto desabou, de uma vez. Acho que o coitado não aguentava tantos remendos.
E ela? Ficou sem teto agora? Se bem que aquele teto não era muito seguro. Vidro. Frágil demais. Quebrável demais. Perigoso, também. Acho que ela precisa de um telhado de concreto. Sólido, firme. E não é quebrável,maravilha! Sem machucados, então.
Cimento, escuro. Frio, também. Inquebrável. Era disso que ela estava falando. Isso sim era telhado bom. Mas era pesado, escuro e solitário. Sem o brilho das estrelas era…era, ruim. De certa forma.
A solidão era evidente em baixo do teto de concreto. Ela queria ver as estrelas, sentir seu brilho iluminando o interior da ‘casa’.
Mas não podia. Ela escolheu assim. As estrelas às vezes a cegavam. Outras nem apareciam. É, ter teto de concreto tem lá suas vantagens, sem idiotas tentando quebrá-lo, sem decepções, sem machucados. Mas é solitário, isolado. Apenas ela e seus sentimentos, ainda vivos. Que coração de pedra estranho. Ainda sente. Ainda ama. Ainda se importa. Ainda quer. Mesmo frio.
(Fonte: snowlk)
(Fonte: foda-se-mundo)